quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Estatísticas

Vamos ver agora um equívoco de como "ranqueamentos" são inúteis no futebol.

A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) "descobriu" que Pelé é o maior artilheiro da história do futebol. Segundo o ranking da entidade, o Rei do Futebol assinalou 541 gols. Resta dizer como foi o cômputo, pois é notório que Édson Arantes do Nascimento ultrapassou a marca dos 1000 tentos... Bom, continuemos ainda na lista da IFFHS.

Ainda segundo a Federação, Pelé teria uma diferença de 23 gols em relação ao segundo colocado, o Austríaco (!) Josef Bican, e de 52 para o Romário, o segundo melhor Brasileiro que aparece na lista. Ora, se, ainda de posse destes dados, fizermos a média de gols por partida, veja como ficaria este ranking:


Jogos Gols Média
Dinamite 758 470 1.61
Zico 596 406 1.47
Müller 507 405 1.25
Romário 612 489 1.25
Puskas 533 511 1.04
Pelé 560 541 1.04
Edward 408 410 1.00
Gyula 394 416 0.95
Schlosser 318 417 0.76
Bican 341 518 0.66

Como Roberto era um centroavante nato, Zico é, pois, o meia-atacante que tem a melhor média de gols na história, e Pelé seria apenas o sexto colocado, levando em conta os dados da tal da IFFHS!

Vejam que, sem uma análise criteriosa, levando em consideração outros aspectos que não simplesmente o tratamento estatístico, estes tipos de "estudos" de nada servem, apenas se prestam o papel de gerar factóides.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Hexacampeonato

Há três meses não venho postando. Confesso que uma forte crendice me assolou. Muitos rituais e premonições para consolidar o desejo maior: celebrar o campeonato nacional! Tinha no meu íntimo que São Jorge - o regente do ano - faria uma divisão entre Flamengo e Corinthians: um título estadual e um nacional para cada... . Coisa da minha cabeça...

Antes de me remeter a outras análises, meu comentário sobre o futebol: Andrade e Petkovic são os maiores heróis desta conquista! Os demais jogadores são coadjuvantes, mas, ainda assim, destaco: Adriano, Léo Moura, Álvaro, Maldonado, Bruno, Toró, Williams, Éverton e Airton. Cada um teve realmente uma história de superação neste ano. Propositalmente não citei Angelim, o Ronaldo que fala a língua dos Anjos. Humildade e simplicidade comoventes que mereceram a glória de um gol que valeu a eternidade! Os Deuses do futebol dão respostas curiosas....

Nos 17 anos de espera do Hexacampeonato algumas coisas mudaram. Até alguns anos atrás, as cenas de barbárie eram protagonizadas somente por facções criminosas rivais; hoje são intra-clube... com a palavra, ou melhor, com os punhos, os braquicéfalos. Mesmo assim, não esmaeceram o esplendor de se ter uma festa em escala planetária!

Os bárbaros do Coritiba reverberam a violência por outra razão. No descenso do time do Paraná, colhe-se igualmente uma auspiciosa resposta dos Deuses: a manutenção de todas as equipes do RJ na primeira divisão e o rebaixamento de outro desafeto Rubro-Negro. No time paranaense estava um ex-jogador do FLA que havia saído no início reclamando da estrutura. A vida dá voltas... E como dá!

No ano do penta, em 1992, não haviam hits, coreografias ou mosaicos nos estádios (o ponto alto do campeonato), muito menos a profusão de premiações. A cobiçada por todos os boleiros era a de uma publicação, principal referência esportiva entre os garotos aficionados pelo esporte bretão. Pois, no ano do hexa coube a outro proscrito Rubro-Negro entregar nesta solenidade o prêmio de melhor meio-campista ao verdadeiro craque do campeonato, Petkovic. Os Deuses nunca erram...

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O discurso do então presidente, Márcio Braga, na festa da CBF, agora sucedido por Patrícia Amorim, sintetiza meu pensamento sobre os "pontos corridos". Continuo a defender que é um formato que não legitima a pluralidade. É elitista até na comemoração! Jogadores longe da massa, sem direito a volta olímpica... Cartolas e artista circenses aparecendo mais do que podem e devem... E mais: a participação "popular" para se escolher os craques do campeonato... Quantos Brasileiros têm acesso à Internet para escolher o jogador? E quantos sabem manipular os mecanismos da rede, escondendo o IP, para burlar as páginas que registram o voto? É, pode ser também coisa da minha cabeça, mas não o é a realidade que Márcio Braga apresentou.

Mesmo para um time de massa como o Flamengo, com patrocinadores renovados e exultantes com as cifras, é inviável o modelo. Alguns críticos poderiam alegar que a (má) herança administrativa do Flamengo, que o próprio Márcio Braga pode ter contribuído para formar ao longo das suas passagens anteriores pelo comando do Clube, é a razão pela qual o time não é superavitário. Rebate-se de pronto: mas qual time Brasileiro é viável e não tem dívidas?

Patrícia Amorim, a nova presidente do Flamengo, promete investir nos esportes olímpicos, modalidade que poucas agremiações esportivas no Brasil mantêm, e ampliar a base de sócios como forma de gerar novas receitas para o Clube. No discurso de alguns outros candidatos a presidência do Rubro-Negro, ouviu-se o clamor para que o montante maior das dívidas do Mais Querido, de natureza fiscal, fosse perdoado pelo fato de, no Brasil, serem os (falidos) clubes os formadores de atletas olímpicos, enquanto que em outros países é o Estado desta função. Muito se fala que o Barcelona, agremiação mais popular na Europa, dispensa patrocinadores pela base de sócios que mantêm o clube. Pode-se comparar o padrão de vida do Catalão com o do Brasileiro? Será que o S.C. Internacional, o clube Brasileiro com a maior quantidade de sócios, algum dia terá a mesma estrutura da equipe Espanhola?

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Um Feliz Natal e um próspero 2010, ainda com mais conquistas que este excelente ano, com as bençãos de São Jorge e São Judas Tadeu!

domingo, 6 de setembro de 2009

Argentina vs Brasil

Quem ganhou o jogo? A seleção Canarinha jogando um péssimo futebol, totalmente na defensiva, valendo do oportunismo de 2 faltas, venceu a partida. Nem uma emissora de TV ousou a apresentar o tempo de posse de bola final da equipe Argentina. Pudera, seria o atestado de óbito d0 futebol ofensivo, ainda que mal organizado, apesar dos lances de genialidade de Messi.
Infelizmente, o treinador Argentino demonstrou que a melhor formação do seu escrete estava apenas rascunhada no banco de reservas... Há muito a se fazer pela tática da Seleção Celeste. Pela Canarinho, não muito. Está classificada para a Copa e fadada a retornar para casa após o mundial sem se importar em jogar o futebol que os saudosistas e os 'que vivem de passado' gostam... Pouca diferença faz quem seja treinador, Felipão, Dunga, ou Muricy: a truculência, o 'futebol-resultado' é que deve prevalecer para atender a interesses comerciais e políticos.
O futebol-arte perde novamente.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Adeus a Zé e a Hélio!

Tive o privilégio de vê-lo atuar e, também, poder contribuir, modestamente, com uma quantia para o seu tratamento. Infelizmente, esta batalha foi perdida!

Ainda fora de tempo, a vitória sobre o Santos teve a cara dos (bons) tempos de Zé Grandão: o gol que Bruno levou foi similar aos que Zé levava (no canto, rasteiro), e a vitória, espetacular, quebrando tabus! Em espírito, Zé estava lá....

Não esteve, pois, na quase derrota para o Náutico. Perda de pontos importantes em casa para o lanterna da competição. Se o Fla quer ser campeão precisa de uma força a mais, que não pode ser de Zé Grandão (e outros beneméritos astrais), nem da (maior) torcida (do mundo)...

Polêmica válida para o jogo contra o Goiás: o técnico alviverde confirma o que todos já sabem, "cada um dá o que tem". No caso de Hélio, a ignorância sempre andou lado-a-lado com a estribaria. Criticou torcedores Goianos torcendo para o Fla, intencionando, pois, diminuir o que existe de mais grandioso no futebol Brasileiro e mundial: a paixão pelo esporte que atravessa o tempo e fronteiras.

No início do jogo contra o Atlético-MG, o técnico da equipe de MG, Celso Roth, já destacava a mística do futebol Carioca: "o romantismo que marcou a escola do futebol Brasileiro". Elogio justo vindo de quem?

Na mitologia Grega, Hélio era o Deus Sol, que provinha luz. Bom, o fato é que, este nem sempre gera filhos legítimos, como se pode depreender do episódio recente no cenário Brasileiro. O ignonímio, não-assumido, Brazuca - que os Deuses e Santos tenham pena da sua condição torpe - poderia, neste ponto da vida, tentar superar as trevas que encerram sua trajetória profissional numa condição vassala. Que o diga a torcida dos times da BA que até hoje brincam com uma - das intermináveis - entrevistas infelizes concedida aos veículos de imprensa quando da sua passagem pelo E.C.Vitória.

Minhas condolências aos Goianos.

sábado, 16 de maio de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

O dilema de Ronaldo

Volto a abrir espaço para debater o tema.

Desde o mês passado, mantenho a aposta em aberto: o jogador Ronaldo Nazario será convocado para o selecionado Nacional, mesmo não estando no esplendor da sua técnica ou condicionamento físico, mas por questões mercadológicas.

Aliás, diga-se de passagem, há muitos anos este tem sido um dos fatores mais importantes para o meio esportivo, em especial, o desalentador futebol Brasileiro.

Excetuando o time em que joga, Nazario não usufrui da simpatia por grande parte das maiores torcidas do Brasil (Flamengo, Cruzeiro e os times de SP). O ex-fenômeno assume o mesmo papel que Romário, anos atrás, desempenhava: inimigo público número 1 da ética e do bom mocismo (sim, o "garoto-prodígio" tem um lado Edmundo muito desenvolvido)!

Provavelmente, o atual time na terra do Tietê deva ser o último na carreira dele. Será que ao findar a vitoriosa e arquimilionária trajetoria o seu nome será entoado por alguma torcida ou somente pelo locutor ufanista? Os mais frios anais do esporte bretão podem lhe reservar homenagens: não por sido o melhor, mas, como ícone de uma época de bestiais, por ter conseguido demonstrar, com absoluta maestria, que dinheiro e caráter são imiscíveis.

Márcio Passos de Albuquerque, ou simplesmente "Emérson", atual atacante do Flamengo, ganha a simpatia por seguir em caminho oposto. A exemplo de Ibson e outros que viveram no exterior, atuam em uma agremiação que amam e se sentem realizados, mesmo com salários em atraso.

O dilema de Ronaldo com a Nike foi interpretado por Raul Seixas (E esse caminho/ Que eu mesmo escolhi/ É tão fácil seguir/Por não ter onde ir...), o de Emérson, pelos Beatles (can't buy me love...).

Ouro de Tolos é outra canção que pode ser entoada pelos torcedores da Seleção Brasileira após o hino nacional...