sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Coisas do futebol

A expressão é muito usada para se dizer que as coisas acontecem, e que não se pode alterar o curso dos eventos. A carga simbólica é tão forte que é comum ouvi-la no dia-a-dia, bem longe dos gramados.

Não tão longe, no Flamengo a diretoria vive intensamente as dificuldades de uma estrutura amadora e com muitos vícios. As "coisas do Flamengo", claro, tem peculiaridades, até certo ponto distintas de outras agremiações que contam com o histórico apoio de cronistas enrustidos, como revela a esposa de um treinador de futebol.

Ao assumir o CRF, a diretoria teve como referência o processo de reestruturação do Borussia Dortmund. Em muitos aspectos, avança bem, com os necessários ajustes a tempo. A aprendizagem da vida empresarial é um diferencial para os diretores e gestores. As agruras concentram-se na relação com pensamento anacrônico, patrimonialista, clientelista vigente em segmentos do Clube. Diz-se que somente a renovação dos conselhos é que proporcionará a desejada modernização administrativa. Pode levar mais tempo que o esperado.

Recentemente o Flamengo lançou uma campanha para aumentar o quadro social. Houve uma resposta favorável nos primeiros meses, com tendência à estabilização. O panorama político interno e a contrapartida aos sócios fora do RJ são apontados como principais problemas. O primeiro é uma questão redundante: o efeito que se quer evitar é a causa que impede a resolução. O segundo decorre de uma falta de habilidade em se conhecer a realidade da nação Rubro-Negra.

O residente nos rincões do país não tem condições de assumir o valor mínimo para se associar. Se no plano fosse contemplado, por exemplo, o sorteio de camisas ou o envio de adesivos, brindes, seria um atrativo a mais ao torcedor. Neste ponto, a direção de marketing do Flamengo não pode acreditar que a elitização do futebol é o fator preponderante para impedir planos mais próximos à realidade do orçamento das famílias. Não são coisas que acontecem sem que nada se possa a fazer respeito.

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Dentro de campo, o time vem se acertando. O treinador faz boas leituras e, entre poucos erros, tem conseguido resultados dentro da realidade do elenco. Evidente que está aquém do que se espera do Clube em termos de conquistas, mas não é possível se fazer milagres...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A morte e a morte dos toureiros

Falar do esporte bretão sem mencionar as manifestações em todo o país seria imperdoável! A pauta é extensa, há muito a se refazer nacionalmente. A ação política urge e não pode esperar as eleições do próximo ano. Estão de parabéns todos os que se manifestaram de forma ordeira e serena contra os absurdos que se agravaram nos últimos anos.

O governo federal adotou a campanha publicitária a "pátria de chuteiras" durante a Copa das Confederações, para aumentar o ufanismo típico da política do pão e circo. Associado aos gastos faraônicos e a corrupção latente, manifestações iniciaram-se na maior cidade do país, tendo como foco inicial a tarifa do transporte público, mas ganharam adesão em todo o território nacional, com ampliada pauta de reivindicações.

Lamentavelmente, os serviços no Brasil, principalmente a saúde e a educação, não se assemelham ao desenvolvimento do escrete canarinho nos gramados da Competição, sob alta exigência de qualidade por parte da FIFA. O próprio presidente da entidade reconhece que há problemas com relação à infraestrutura e a forma como o dinheiro público foi utilizado no Brasil desde 2007.

Quiçá a "solidariedade" do dirigente da FIFA à presidente da república tenha encorajado ainda mais a sonora vaia no Maracanã que se ecoou país afora, tal qual no Pan-americano realizado no Rio, seis anos atrás. Naquela oportunidade, os mandatários achavam que se tratava de bravata de burgueses, que não chegaria a incomodar politicamente. No entanto, as pesquisas de intenção de opinião apontam uma tendência contrária... 

Que se mantenha em evidência a agenda de reivindicações e que se substanciem em mudanças efetivas! Difícil mesmo, quase impossível, é fazer que o futebol seja menor do que é, pois não se trata de uma questão local. É um negócio transnacional que não serve para "unir os povos", "promover a paz", entre outros nobres propósitos decantados pelas autoridades esportivas. O "circo Romano" profissionalizou-se e virou metástase. João Havelange, Ricardo Teixeira, Marin e o próprio Blatter que o digam! 

Viva o Brasileiro! (mas nada de "pra frente, Brasil"...). 

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A soberba dos toureiros impressiona. Achando-se legítimos representantes do "futebol-arte" não aceitaram a derrota em campo. Alegaram cansaço pelo jogo da semifinal, conspiração para aplacar os ânimos dos manifestantes nas ruas, mas não aceitaram a humilhação. O resultado de 3x0 foi pouco. Podia ter sido um placar até mais dilatado.

Longe de dizer que a "família Scolari" é favorita ao título do próximo mundial (ainda aposto na Argentina).

Os colonizadores estão em vantagem em relação aos Tupiniquins no sistema educacional e na saúde. Reconhece-se também a soberania dos padeiros em se rentabilizar o circo em tempos de escasso pão...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Pardalices

É a expressão no futebol para designar treinadores que gostam de inventar muito e pouco ganham com a equipe.

Jorginho se foi. Como jogador, foi um dos melhores laterais da história do Flamengo. Fora dos gramados, continua a ser um profissional ético, que pode crescer muito. Apesar dos equívocos nesta sua breve passagem pelo Clube, é uma pessoa que sabe reconhecer os erros e tem capacidade de aprender com as adversidades. 

Ele não tem culpa do péssimo grupo de jogadores que o Flamengo tem a disposição. O que dizer de um centroavante que perde mais gols do que faz e não cumpre as orientações táticas, como é o caso do pífio Hernane? O que falar de uma "ex-promessa", Carlos Eduardo, que ganha R$500 mil por mês (sem atrasos, diga-se de passagem) e não apresenta futebol condizente com os vencimentos?

O "artilheiro brocador" teve o contrato renovado ainda no primeiro semestre deste ano, durante a disputa do campeonato Carioca (que belo parâmetro...). Sabe-se que o "ex-futuro-craque" - um bom moço, pelo que dizem - está no Clube por uma troca de "favores" com o empresário.

Paciência, e muita! Eles não são os únicos pernas-de-pau no grupo.

Os jovens no elenco podem não ser a solução dos problemas, mas trariam mais vontade, empenho e vigor que outros. A diretoria está se movimentando. Aguarda a abertura do mercado. Mais paciência....

Que saudades do Dorival Junior! E que não contratem Muricy Ramalho, Renato Portalupi ou coisa parecida.

Lamento mesmo, Jorginho... Fica para a próxima!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A verdade de cada um...

É comum se ouvir nos veículos de comunicação que determinada agremiação representa o país quando em peleja com equipes estrangeiras. Mais uma vez, se tem provas cabais de que não é verdadeiro.




Fonte: http://esportes.terra.com.br/corinthians/rivais-reverenciam-riquelme-e-arbitro-e-ironizam-corinthians-veja-memes,147fc1f885dae310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html


Não apenas pela repercussão nas mídias sociais, mas também pela comemoração nos estádios de futebol país afora se ouvia e constatava as torcidas adversárias comemorando o belo gol de Riquelme contra os marginais do tietê. 

Quando se pensa que o bairro, ou a rua é o centro do universo, esquece-se que mais de 170 milhões de pessoas não aceitam serem abafadas por um discurso hegemônico de um polo irradiador de mensagens que se proclama o próprio país. Sequer foram, são ou jamais serão uma nação!

Justiça e vingança são vocábulos distintos. A segunda é a percepção dos que conseguiram por vias escusas auferir ganhos historicamente por meios ilícitos e, quando descobertos, põem-se na condição de vítimas, culpando os outros pelo fracasso. O que dizer das composições políticas-econômicas engendradas para facilitar e dar visibilidade a grupelhos em relação a outras necessidades prementes da sociedade?!

O justiceiro Santo Antônio rege o ano de 2013. No entanto, nem Ele trará à vida o jovem morto por marginais quando da visita dos gambás à Bolívia. Justiça terrena seja feita, pois a Divina jamais tarda! Que o diga o b.a.e.a. ...

Neste momento "tão importante", há um esforço conjunto de políticos de partidos adversários, empresários, "intelectuais", jornalistas, "celebridades" para tirar o b.a.e.a do fundo do poço. Por que não se faz o mesmo para melhorar a educação e a saúde? Pão e circo. Os palhaços são os eleitores que votam no calor do entusiasmo pelo desempenho nos campeonatos de futebol. Que voltem à terceira divisão, de onde não deveriam ter saído!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Noticiário pós BAVI

A Transalvador informa que o tráfego da Avenida 7, passando pelo corredor da Vitória, até o Campo Grande é intenso nos 2 sentidos.

Entidades religiosas alertam: o Caboclo não aguenta mais choro! A alternativa é ofertar um caruru para 7 meninos na 7 Portas.

Nesta semana, os médicos da Bahia estão alterando as rotinas ambulatoriais: os pacientes que disserem 73 nas consultas ganharão chocolates e pares de chinelos.

Bando propaga o terror em Itinga e Polícia Militar faz blitz para proibir qualquer gol na área.

Artuzinho revela conclusão da conclusão do CT em Agrestina. O espaço fica próximo aos principais estádios do Norte, Nordeste e é um ponto estratégico para se conquistar a Terceirona.

Grupos de fiéis esperam que até dezembro o fluxo de fiéis no Bonfim aumente em 73%.

IBAMA adverte: é crime ambiental a caça de sardinhas com bomba!

Agências de emprego celebram a demolição do Manoel Barradas e a instalação de fábrica de chocolate no local.

Igrejas da Bahia têm aumento no pedido de missas de 7o dia.

Artuzinho diz que está levando o filho no dentista, mas o celular está ativado: 21 XX51 7300

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O fim dos toureiros

Tenho grande simpatia pelo time, pela cidade e pelos jogadores do Barcelona, mas nunca me encantei com o estilo de jogo dos últimos três anos. Nos jogos pela Copa dos Campeões da Europa torci para o Bayen, o futebol vertical, pragmático, de resultado. Contradição para quem vive saudosamente lembrando do futebol-arte? Não mesmo, explico.

Alguns cronistas esportivos diziam que os Catalães têm/tinham "o melhor futebol do mundo", "resgatava o futebol-arte", "era o melhor time de futebol de todos os tempos". Para mim o estilo de jogo "horizontal" lembrava-me um "semi-círculo", uma tourada, que seja.

A prática de se "tourear a bola" - ou, como preferem os especialistas: "trabalhar a bola com paciência, esperando o time adversário se abrir" - dos pequeninos não surtiu efeito contra os grandalhões do Bayern.

Dada a vertiginosa mediocridade no futebol, com equipes sem qualquer talento mas que chegaram à final de mundiais de clubes e de seleções, o Barcelona era referência de jogo limpo, técnico, bonito. Os entusiastas cantavam em verso e prosa que fazia diferença a "compactação do time, aliada ao talento individual". Silenciosamente, associava à velha tática "padaria": ataque em massa, defesa em bolo e meio de campo que enrola. No entanto, os resultados diziam o contrário...

Indiscutivel e merecidamente, Messi foi, e é, o melhor jogador em atividade. Um profissional de respeito, diferenciado, mas não é o "maior de todos os tempos", por mais prêmios e recordes que supere. Ao seu lado integram o time Iniesta, Xavi... jogadores que se destacam por bom controle de bola, visão de jogo, mas longe de serem um Gérson, Júnior, Zico, Zizinho, Ademir da Guia, Didi, Cruijff...

Os críticos rebatem: "jogo bonito por si só não ganha títulos, não dá retorno, nem visibilidade comercial! Que o diga Johan Cruijff no próprio Barça e na seleção da Holanda, entre outros perdedores". É, a realidade do "futebol para superatletas performáticos" veio há algumas décadas para ficar, infelizmente! Não é culpa do Bayern, que até foge do roteiro. Nem de Messi, que mesmo se estivesse em campo em boas condições físicas não evitaria a segunda goleada.

Fica o recado, não para o Barça, mas para os que acham que podem enganar a essência do esporte Bretão: a meta (goal) está à frente. Firulas, malabarismos com bola (a focagem), tourada não são extensões do talento, mas da falta dele aplicado a um esporte coletivo com objetivos dentro e fora das quatro linhas.  Alles gute, Bayern!